ONG vai a MP para garantir balneabilidade
Da Reportagem
O Ministério Público poderá intermediar a polêmica questão da balneabilidade das praias em Santos. A Curadoria do Meio Ambiente foi acionada a partir de uma representação do Movimento S.O.S. Orquidário Íntegro e Defesa Ambiental, protocolada no final de janeiro.
O objetivo é fazer com que Prefeitura, Sabesp e Cetesb assinem um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para eliminar os focos de contaminação das praias de Santos.
A Promotoria de Meio Ambiente já recebeu a representação, anexando-a a um processo de investigação sobre balneabilidade das praias, iniciado em 1990 e que já motivou o início das análises de amostras de água, por parte da Cetesb e da Prefeitura. ‘‘Um processo de investigação só acaba quando o problema está 100% resolvido. Caso contrário, ele continua se desenrolando pelos anos’’, explica o promotor ambiental Daury de Paula Júnior.
Segundo o coordenador da organização não-governamental (ONG), Nélson Rodrigues, a poluição é caracterizada como sanitária e química, esta última resultante das movimentações no Porto de Santos.
‘‘O nosso foco é a questão sanitária. Os canais foram projetados para receber águas pluviais e não, esgoto. Quando temos chuvas torrenciais, muito comum neste período, os canais enchem e as comportas são abertas para não haver inundações na Cidade. Com isso, temos toda essa água suja em contato com o mar’’.
O ambientalista aponta três fatores de agravamento das condições de balneabilidade do mar. O primeiro deles envolve as ligações clandestinas, depois vem a chamada ‘‘poluição difusa’’, promovida por animais que defecam nas margens dos canais. Os detritos acabam sendo levados para as galerias, com a água das chuvas. Por último, os vendedores ambulantes que dispensam em bueiros restos de óleo de fritura e alimentos, constituindo o terceiro fator.
‘‘A solução está na fiscalização mais rigorosa e no encaminhamento imediato de uma discussão com o Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema). São mais de 20 anos em que acompanho a balneabilidade irregular das praias’’.
Além disso, ele defende campanhas dirigidas de educação ambiental e informações mais claras sobre a condição do mar na faixa de areia como, por exemplo, colocar as bandeiras de balneabilidade na beira da água.
Outros pontos da proposição dizem respeito ao ‘‘sistema de comportas, que é avançado e necessário, mas não basta para a resolução do problema’’, afirma o ambientalista.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente discorda da argumentação apresentada por Nélson Rodrigues. O Poder Público afirma que os mecanismos de fiscalização são desenvolvidos há anos.
Novidade
Mas a forma tradicional de fiscalização, que consistia em derramar um corante dentro do sistema de esgoto do imóvel fiscalizado, não será mais utilizado. A Sabesp usará uma máquina de fumaça que desempenhará a mesma função do sistema antigo, mas com mais agilidade, melhorando a fiscalização.
Os funcionários da empresa já estão sendo treinados e a punição continuará sendo a mesma: caso a fumaça desemboque de uma residência em qualquer ponto de um dos canais, o munícipe deverá desbaratar a ligação de esgoto imediatamente.
Relatório
Ainda este mês, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) deverá divulgar um relatório com o balanço da balneabilidade das praias em 2006.
A evolução de qualificação anual, disponível no endereço eletrônico da Cetesb, aponta que das sete praias de Santos, duas (Ponta da Praia e Aparecida) estão no nível péssimo e as outras cinco (Embaré, Boqueirão, Gonzaga e as duas do José Menino) apresentam o nível ruim.
Secretário de Meio Ambiente contesta
O secretário municipal de Meio Ambiente, Flávio Rodrigues, não concorda com as observações do ambientalista. O único ponto convergente foi com relação ao caso de ligações clandestinas de esgoto. Mesmo assim, Rodrigues afirma que todo o processo é feito há anos.
‘‘O corante será coisa do passado. A Sabesp vai começar a operar a máquina de fumaça e nossa capacidade vai aumentar. A secretaria tem trabalhado com prioridades e estratégias no sentido de fazer com que a balneabilidade melhore’’.
O secretário discordou da tese de que ambulantes e a poluição difusa contribuam para que as praias fiquem impróprias. Esclareceu que as fezes de animais não são suficientes para espalhar coliformes fecais pela grande massa de água, justificando que sua diluição acontece sem muitos problemas.
‘‘No caso dos ambulantes, estranho o fato porque em óleo de cozinha e alimentos não proliferam os coliformes, bactéria que garante uma praia imprópria’’.
Outra ação da secretaria, segundo Rodrigues, é o Perfil Colimétrico. O processo é realizado depois de escolhido um canal, geralmente o que se apresenta mais poluído. A intenção é verificar se houve mistura do esgoto com as galerias pluviais.
O secretário lembrou, ainda, que a Sabesp e a Prefeitura implantaram, em junho de 2006, o programa Onda Limpa. O principal objetivo da iniciativa é barrar os esgotos clandestinos fazendo com que as praias tenham mais condições próprias para os banhos da comunidade e turistas.
COMO AMBIENTALISTA E DIRETOR SINDICAL, TEREI COMO PRIORIDADE DEFENDER OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS E A REGIÃO METROPOLITANA DA BAIXADA SANTISTA, DENTRO DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, OU SEJA, AMBIENTALMENTE CORRETO, SOCIALMENTE JUSTO, CULTURALMENTE ACEITO PELA SOCIEDADE E FINANCEIRAMENTE VIÁVEL COMO PREMISSAS DE UM NOVO PARADIGMA PARA O SÉCULO 21.
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domingo, 27 de dezembro de 2009
Materia publicada no informativo da Igreja dos Passos em Santos
Reciclar
O tema da igreja para 2008 é “Vida”, que no sentido mais amplo significa respeitar todas as formas de vida que existe em nosso planeta.É fundamental que tenhamos um processo educacional que mude a visão predatória onde os recursos naturais são infinitos e portanto podemos usar sem preocupação, apenas pensando nos benefícios imediatos e o lucro que obtemos através de sua exploração.
Precisamos pensar de forma sistêmica e nos colocar humildemente
como parte de um sistema natural, criado pelo nosso Deus e que temos o dever de preservar.
Não existe possibilidade de termos saúde vivendo num meio-ambiente com alto nível de degradação ambiental, seja por agentes químicos, falta de saneamento básico, poluição atmosférica ou mesmo contaminação por radiação nuclear.
O século vinte se notabilizou pelo avanço cientifico e também pelo período da história de maior destruição de ecossistemas importantes
para manutenção do equilíbrio das espécies.
Agora estamos diante do desafio de continuarmos mantendo essa forma de desenvolvimento e prejudicar as gerações futuras ou aplicarmos de forma urgente e responsável um desenvolvimento
sustentável capaz de impedir a destruição da vida.
O título reciclar neste texto significa mudar os conceitos errados, alterar os costumes predatórios, fazer uma auto-crítica para avaliar como cada um pode contribuir para uma melhor qualidade de vida, seguindo o lema dos ambientalista de “pensar globalmente e agir localmente”.A união das entidades ambientalistas, das instituições religiosas, dos setores da comunidade organizados serão preponderantes para atingirmos esses objetivos, sendo importante resaltar a necessidade de haver encontros propositivos entre todos os atores sociais com vistas a uma melhor integração e aprimoramento de uma nova postura para o século 21.
O tema da igreja para 2008 é “Vida”, que no sentido mais amplo significa respeitar todas as formas de vida que existe em nosso planeta.É fundamental que tenhamos um processo educacional que mude a visão predatória onde os recursos naturais são infinitos e portanto podemos usar sem preocupação, apenas pensando nos benefícios imediatos e o lucro que obtemos através de sua exploração.
Precisamos pensar de forma sistêmica e nos colocar humildemente
como parte de um sistema natural, criado pelo nosso Deus e que temos o dever de preservar.
Não existe possibilidade de termos saúde vivendo num meio-ambiente com alto nível de degradação ambiental, seja por agentes químicos, falta de saneamento básico, poluição atmosférica ou mesmo contaminação por radiação nuclear.
O século vinte se notabilizou pelo avanço cientifico e também pelo período da história de maior destruição de ecossistemas importantes
para manutenção do equilíbrio das espécies.
Agora estamos diante do desafio de continuarmos mantendo essa forma de desenvolvimento e prejudicar as gerações futuras ou aplicarmos de forma urgente e responsável um desenvolvimento
sustentável capaz de impedir a destruição da vida.
O título reciclar neste texto significa mudar os conceitos errados, alterar os costumes predatórios, fazer uma auto-crítica para avaliar como cada um pode contribuir para uma melhor qualidade de vida, seguindo o lema dos ambientalista de “pensar globalmente e agir localmente”.A união das entidades ambientalistas, das instituições religiosas, dos setores da comunidade organizados serão preponderantes para atingirmos esses objetivos, sendo importante resaltar a necessidade de haver encontros propositivos entre todos os atores sociais com vistas a uma melhor integração e aprimoramento de uma nova postura para o século 21.
CARROS ELÉTRICOS
Economia limpa • Perspectiva 2010
2. Carros elétricos
Eles vão acelerar ou frear
as mudanças climáticas?
As duas coisas ao mesmo tempo, porque não soltam fumaça pelo
escapamento mas consomem energia que nasce em usinas poluidoras
O PRIMEIRO DE UMA GRANDE MONTADORA
Debaixo da carroceria, o Volt, da GM, com lançamento previsto para o fim de 2010,
é essencialmente uma peça de computador montada sobre quatro rodas. Custará
cerca de 32 000 dólares nos Estados Unidos
VEJA TAMBÉM
• Quadro: Gasolina ou elétrico?
O calendário de lançamentos de carros elétricos em 2010 parece indicar uma nova etapa na história da indústria automobilística. No fim de 2010, a GM porá nas ruas dos Estados Unidos o Volt. A Nissan entregará o Leaf na Europa e na Ásia. Nenhum dos dois modelos chegará tão cedo ao Brasil. O Volt deve custar algo ao redor de 32 000 dólares. O Leaf não tem preço estimado, mas está sendo anunciado como um produto barato, na cola dos veículos pequenos de passeio. Ambos transportam uma novidade: são realmente 100% elétricos, e não híbridos, como o Prius, da Toyota. O Prius anda prioritariamente com um motor elétrico – quando o motorista precisa de mais potência, um segundo motor, a gasolina, começa a funcionar. O Volt tem um motor elétrico e outro a gasolina, mas só o primeiro faz o carro rodar. Com ele é possível percorrer 64 quilômetros. Ao atingir essa marca, o motor a gasolina passa a funcionar para ativar um gerador que produz energia e recarrega a bateria.
"Não é um falso amanhecer", diz Paul Scott, vice-presidente e fundador da Plug In, uma organização americana que durante muito tempo acusou as montadoras de pouco fazerem em nome dos automóveis elétricos. "Agora o jogo é real." Aposta-se no sucesso – a GM acredita chegar a dezenas de milhares de unidades vendidas até 2013, embora não tenha números precisos – pelo exemplo de outras rápidas explosões tecnológicas atreladas a inovação. "É como o iPhone", compara Bruce Nilles, especialista americano em energia e poluição. "As pessoas podem desejar ter um carro elétrico na garagem porque ele é politicamente correto, e não custa nada estar do lado do bem."
Um olhar mais atento – subtraídos o fascínio na-tural e a ânsia de encontrar uma boia para tirar as três grandes montadoras de Detroit (GM, Ford e Chrysler) da lama – indica, sim, uma possível falsa largada, uma segunda freada, tal como ocorreu em meados da década de 90 com o EV1, o primeiro veículo elétrico moderno produzido por uma grande marca, a GM. Os EV1 foram lançados em 1996, apenas para leasing – eram pouco mais de 1 000 unidades, majoritariamente na Califórnia e Arizona –, mas deixaram de circular em 1999. Entre 2003 e 2004, já com a produção interrompida, saíram do mercado, levados a desmanche ou oferecidos a museus e universidades. Tornaram-se párias, retrato de um tempo industrial que se queria apagar. "Quem matou o carro elétrico?", pergunta um documentário premiado, disponível nas locadoras brasileiras. Não há apenas um suspeito. A pressão da indústria petrolífera ajudou. A própria GM percebeu que era ideia deficitária. Além disso, a fragilidade da rede de realimentação das baterias – e a baixa autonomia que elas ofereciam – decretou a marcha a ré.
No documentário, o ator Tom Hanks, sempre muito certinho, aparece em um trecho do programa David Letterman Show. Instado a dizer por que gostava de andar num modelo sem gasolina, respondeu: "Porque quero salvar os Estados Unidos". Se não deu certo naquele tempo, por que daria agora? É difícil, por óbvio, salvar os Estados Unidos, se é que os Estados Unidos precisam ser salvos, apenas trocando de carro – e entender isso é olhar as características do elétrico confrontado com os modelos tradicionais.
Uma pergunta se impõe: o elétrico é um risco ou uma solução para o planeta? "Os automóveis elétricos devem ser recompensados por sua eficiência energética, não por transferirem as emissões de gases dos escapamentos para as chaminés das usinas", anota relatório da Associação Britânica Ambientalista de Transporte. Em outras palavras: as emissões de dióxido de carbono pelo carburador inexistem nos carros elétricos, e no entanto eles só poderão circular porque recebem eletricidade produzida em muitos países por usinas movidas a combustível fóssil. De nada adianta usar um automóvel elétrico na China, por exemplo, se as usinas geradoras são alimentadas por carvão. Estimativas americanas indicam que, se eventualmente 250 000 carros elétricos fossem plugados para recarga ao mesmo tempo em um início de noite, seria necessário erguer outras 160 usinas de energia nos Estados Unidos apenas para alimentá-los. "Não será nada agradável ser acusado pelo vizinho do blecaute de todas as noites", ironiza Ed Kjaer, diretor de transporte elétrico de uma operadora de eletricidade da Califórnia. Há outro alerta no estudo: no melhor dos cenários, apenas no ano de 2030 esses veículos produzirão impacto real na diminuição das emissões, quando houver frota maior dessa família automobilística nas ruas e estradas.
Até lá as questões são mais comezinhas. Como superar a principal dificuldade, a reduzida autonomia da bateria? Há avanços, mas ainda assim a bateria de lítio do Volt, versão avantajada das que equipam celulares e laptops, deve custar em torno de 10 000 dólares, com 200 quilos. Solução mais interessante – a caminho de uma mudança de modelo, ainda sutil – encontrou a Renault-Nissan ao selar parceria com uma empresa israelense, a Better Place (em inglês, lugar melhor, referência ao objetivo de criar um mundo mais verde). O plano prevê a instalação de uma ampla rede de 500 000 pontos de recarga, além de postos de troca de baterias em Israel, onde haverá o teste piloto. As baterias poderão ser recarregadas de duas maneiras: em postos especializados ou simplesmente pela troca das gastas por novas, completas, sem perda de tempo. É ideia próxima à das operadoras de celular. Há planos de oferecer o equipamento a preço baixo, sem impostos (o carro), em troca da fidelidade na compra dos serviços (energia, sob a forma de baterias carregadas). Não parece estar no cerne da sustentabilidade, mas é um avanço imenso – o próximo passo pode ser o compartilhamento de veículos, como já ocorre com um sistema de aluguel de bicicletas em Paris, o Vélib. Filho dessa iniciativa, no fim de 2010 passa a funcionar o Autolib, o carro individual de uso coletivo.
Em Curitiba, o urbanista Jaime Lerner, ex-prefeito da cidade, apresentou recentemente o protótipo de um veículo elétrico para um passageiro inspirado no sistema parisiense. A ideia é que os carrinhos sejam alugados em áreas de grande circulação, próximo a terminais de ônibus ou metrô. Os usuários poderão retirá-los e devolvê-los em qualquer estação, pagando com cartão de crédito. Do ponto de vista do consumidor, pode ser um grande negócio – afinal, pagamos (e bem) por um automóvel para usá-lo apenas umas três horas por dia; nas outras 21 ele fica parado. O dinheiro economizado dá e sobra para alugar um belo carrão na hora de namorar, fazer compras e passear com a família.
O difícil será superar um dos monumentos do consumo nos séculos XX e XXI – o anseio de cada pessoa ter o seu carro, símbolo de independência e liberdade, mesmo colado a modismos e exageros. Além disso, a maioria dos proprietários insiste em levar apenas uma pessoa dentro do veículo, ou seja, o próprio motorista. Enquanto a nova realidade não chega, o modo de aliviar a poluição e o trânsito continuará sendo o bom senso, a combinação entre transporte coletivo, carona, bicicletas e caminhadas, onde for possível.
Fonte: revista Veja
2. Carros elétricos
Eles vão acelerar ou frear
as mudanças climáticas?
As duas coisas ao mesmo tempo, porque não soltam fumaça pelo
escapamento mas consomem energia que nasce em usinas poluidoras
O PRIMEIRO DE UMA GRANDE MONTADORA
Debaixo da carroceria, o Volt, da GM, com lançamento previsto para o fim de 2010,
é essencialmente uma peça de computador montada sobre quatro rodas. Custará
cerca de 32 000 dólares nos Estados Unidos
VEJA TAMBÉM
• Quadro: Gasolina ou elétrico?
O calendário de lançamentos de carros elétricos em 2010 parece indicar uma nova etapa na história da indústria automobilística. No fim de 2010, a GM porá nas ruas dos Estados Unidos o Volt. A Nissan entregará o Leaf na Europa e na Ásia. Nenhum dos dois modelos chegará tão cedo ao Brasil. O Volt deve custar algo ao redor de 32 000 dólares. O Leaf não tem preço estimado, mas está sendo anunciado como um produto barato, na cola dos veículos pequenos de passeio. Ambos transportam uma novidade: são realmente 100% elétricos, e não híbridos, como o Prius, da Toyota. O Prius anda prioritariamente com um motor elétrico – quando o motorista precisa de mais potência, um segundo motor, a gasolina, começa a funcionar. O Volt tem um motor elétrico e outro a gasolina, mas só o primeiro faz o carro rodar. Com ele é possível percorrer 64 quilômetros. Ao atingir essa marca, o motor a gasolina passa a funcionar para ativar um gerador que produz energia e recarrega a bateria.
"Não é um falso amanhecer", diz Paul Scott, vice-presidente e fundador da Plug In, uma organização americana que durante muito tempo acusou as montadoras de pouco fazerem em nome dos automóveis elétricos. "Agora o jogo é real." Aposta-se no sucesso – a GM acredita chegar a dezenas de milhares de unidades vendidas até 2013, embora não tenha números precisos – pelo exemplo de outras rápidas explosões tecnológicas atreladas a inovação. "É como o iPhone", compara Bruce Nilles, especialista americano em energia e poluição. "As pessoas podem desejar ter um carro elétrico na garagem porque ele é politicamente correto, e não custa nada estar do lado do bem."
Um olhar mais atento – subtraídos o fascínio na-tural e a ânsia de encontrar uma boia para tirar as três grandes montadoras de Detroit (GM, Ford e Chrysler) da lama – indica, sim, uma possível falsa largada, uma segunda freada, tal como ocorreu em meados da década de 90 com o EV1, o primeiro veículo elétrico moderno produzido por uma grande marca, a GM. Os EV1 foram lançados em 1996, apenas para leasing – eram pouco mais de 1 000 unidades, majoritariamente na Califórnia e Arizona –, mas deixaram de circular em 1999. Entre 2003 e 2004, já com a produção interrompida, saíram do mercado, levados a desmanche ou oferecidos a museus e universidades. Tornaram-se párias, retrato de um tempo industrial que se queria apagar. "Quem matou o carro elétrico?", pergunta um documentário premiado, disponível nas locadoras brasileiras. Não há apenas um suspeito. A pressão da indústria petrolífera ajudou. A própria GM percebeu que era ideia deficitária. Além disso, a fragilidade da rede de realimentação das baterias – e a baixa autonomia que elas ofereciam – decretou a marcha a ré.
No documentário, o ator Tom Hanks, sempre muito certinho, aparece em um trecho do programa David Letterman Show. Instado a dizer por que gostava de andar num modelo sem gasolina, respondeu: "Porque quero salvar os Estados Unidos". Se não deu certo naquele tempo, por que daria agora? É difícil, por óbvio, salvar os Estados Unidos, se é que os Estados Unidos precisam ser salvos, apenas trocando de carro – e entender isso é olhar as características do elétrico confrontado com os modelos tradicionais.
Uma pergunta se impõe: o elétrico é um risco ou uma solução para o planeta? "Os automóveis elétricos devem ser recompensados por sua eficiência energética, não por transferirem as emissões de gases dos escapamentos para as chaminés das usinas", anota relatório da Associação Britânica Ambientalista de Transporte. Em outras palavras: as emissões de dióxido de carbono pelo carburador inexistem nos carros elétricos, e no entanto eles só poderão circular porque recebem eletricidade produzida em muitos países por usinas movidas a combustível fóssil. De nada adianta usar um automóvel elétrico na China, por exemplo, se as usinas geradoras são alimentadas por carvão. Estimativas americanas indicam que, se eventualmente 250 000 carros elétricos fossem plugados para recarga ao mesmo tempo em um início de noite, seria necessário erguer outras 160 usinas de energia nos Estados Unidos apenas para alimentá-los. "Não será nada agradável ser acusado pelo vizinho do blecaute de todas as noites", ironiza Ed Kjaer, diretor de transporte elétrico de uma operadora de eletricidade da Califórnia. Há outro alerta no estudo: no melhor dos cenários, apenas no ano de 2030 esses veículos produzirão impacto real na diminuição das emissões, quando houver frota maior dessa família automobilística nas ruas e estradas.
Até lá as questões são mais comezinhas. Como superar a principal dificuldade, a reduzida autonomia da bateria? Há avanços, mas ainda assim a bateria de lítio do Volt, versão avantajada das que equipam celulares e laptops, deve custar em torno de 10 000 dólares, com 200 quilos. Solução mais interessante – a caminho de uma mudança de modelo, ainda sutil – encontrou a Renault-Nissan ao selar parceria com uma empresa israelense, a Better Place (em inglês, lugar melhor, referência ao objetivo de criar um mundo mais verde). O plano prevê a instalação de uma ampla rede de 500 000 pontos de recarga, além de postos de troca de baterias em Israel, onde haverá o teste piloto. As baterias poderão ser recarregadas de duas maneiras: em postos especializados ou simplesmente pela troca das gastas por novas, completas, sem perda de tempo. É ideia próxima à das operadoras de celular. Há planos de oferecer o equipamento a preço baixo, sem impostos (o carro), em troca da fidelidade na compra dos serviços (energia, sob a forma de baterias carregadas). Não parece estar no cerne da sustentabilidade, mas é um avanço imenso – o próximo passo pode ser o compartilhamento de veículos, como já ocorre com um sistema de aluguel de bicicletas em Paris, o Vélib. Filho dessa iniciativa, no fim de 2010 passa a funcionar o Autolib, o carro individual de uso coletivo.
Em Curitiba, o urbanista Jaime Lerner, ex-prefeito da cidade, apresentou recentemente o protótipo de um veículo elétrico para um passageiro inspirado no sistema parisiense. A ideia é que os carrinhos sejam alugados em áreas de grande circulação, próximo a terminais de ônibus ou metrô. Os usuários poderão retirá-los e devolvê-los em qualquer estação, pagando com cartão de crédito. Do ponto de vista do consumidor, pode ser um grande negócio – afinal, pagamos (e bem) por um automóvel para usá-lo apenas umas três horas por dia; nas outras 21 ele fica parado. O dinheiro economizado dá e sobra para alugar um belo carrão na hora de namorar, fazer compras e passear com a família.
O difícil será superar um dos monumentos do consumo nos séculos XX e XXI – o anseio de cada pessoa ter o seu carro, símbolo de independência e liberdade, mesmo colado a modismos e exageros. Além disso, a maioria dos proprietários insiste em levar apenas uma pessoa dentro do veículo, ou seja, o próprio motorista. Enquanto a nova realidade não chega, o modo de aliviar a poluição e o trânsito continuará sendo o bom senso, a combinação entre transporte coletivo, carona, bicicletas e caminhadas, onde for possível.
Fonte: revista Veja
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A cidadania e o meio-ambiente
Nunca foi tão atual o slogan ,“ pensar globalmente, agir localmente”, como nos dias de hoje, principalmente se levarmos em consideração as mudanças climáticas que vem ocorrendo no planeta de forma crescente.
O conceito que contribui para mudar o comportamento educacional do cidadão é introduzirmos a noção que cada um dos bilhões de seres humanos que habitam o planeta deve fazer a sua parte, considerando que os recursos naturais podem se esgotar, impossibilitando a perpetuação do homem e das demais espécies que habitam nossa casa chamada Terra.
Nossa casa é o planeta Terra, nossa casa é o nosso país, nossa casa é a cidade onde moramos com nossos familiares, amigos, vizinhos e onde trabalhamos gerando recursos para nossa sobrevivência dentro do sistema engendrado pelo homem.Agora, temos que analizar porque as pessoas tem um comportamento diferente fora de suas residências, jogando lixo nas áreas internas dos edifícios, nas calçadas e ruas das cidades, e até em seus locais de trabalho, não tendo o mesmo respeito e cuidado usado em suas casas, justamente pela falta da compreensão de conceitos dos direitos e deveres de cada cidadão, prejudicando o conjunto da sociedade.
Sem dúvida, o lixo é um dos principais problemas urbanos, tanto pelo cheiro, pelo aspecto, pela proliferação de insetos e transmissão de doenças perigosas, entupimento de bueiros e galerias, gerando enchentes que contaminam a água.
Atitudes ambientalmente corretas como separar cada tipo de lixo em sua residência (plásticos, papéis, metais, vidros e lixo orgânico) e ainda embalando corretamente materiais cortantes, não esquecendo as pilhas e baterias de celulares, que podem ser recolhidas em locais próprios.
É importante que o encaminhamento do lixo domestico, assim como a reciclagem seja uma exigência de cada cidadão junto a Prefeitura de sua cidade, como medida necessária para diminuir os impactos ambientais, utilizar menos recursos naturais, aumentar a vida útil dos aterros sanitários e assim garantir um futuro mais adequado para as próximas gerações.Não menos importante é a formação de uma comissão de meio-ambiente em seu local de trabalho, juntamente com a direção da empresa, num processo educativo, que não sirva apenas como marketing institucional, mas a manutenção de padrões internacionalmente estabelecidos, seja na indústria, no comercio ou na prestação de serviços, como forma de integrar a vida pessoal e profissional, dentro de uma postura de responsabilidade sócio-ambiental.
A cidadania plena requer uma participação mais ativa, tendo nos conselhos municipais, e em particular no conselho de meio-ambiente, uma forma de interagir nos destinos de sua comunidade e assim participar na discussão das políticas públicas voltadas ao meio-ambiente.Outro espaço aberto dentro de cada cidade onde já existe ou esta em vias de implantação, é a famosa Agenda 21, onde toda comunidade pode ajudar a construir seu próprio futuro.Portanto, participe, estarei aguardando sua manifestação sobre a matéria e outros assuntos de interesse comum através do endereço eletrônico, a disposição de todos. NELSON RODRIGUES – ambientalista, membro do Conselho de Meio-Ambiente de Santos, Presidente da ONG SOS Orquidário Íntegro e Defesa Ambiental, Diretor do Sindicato dos funcionários da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo-SINDFESP.
email: nelsonrodrigues777@hotmail.com
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